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UM ESPETÁCULO DE AULA

No curso Global Colloquium on Participant Centered Learning que fiz em Harvard em Jul/15 e Jan/16, um dos meus colegas era um jovem professor inglês que me relatou um caso pessoal curioso: Na universidade onde ele lecionava, os professores eram avaliados pelos seus pares, e em uma das suas aulas um professor sênior e bastante respeitado iria avaliar o desempenho dele.

O que ele fez? Se preparou bastante para a aula. Reviu o assunto, revisou os tópicos, atualizou os números, refez os slides para deixar a aula mais dinâmica e interessante.

Ele me disse que a aula foi um show! Deu tudo certo, e até as piadas contextualizadas se encaixaram direitinho na sequência da aula.

O reconhecimento veio no final quando a turma o aplaudiu de pé! Standing ovation. Ele ficou super feliz e pode mostrar ao professor sênior o seu valor.

Quando a turma estava saindo da sala, o avaliador apenas disse "depois nós conversamos mais".

Quando esse "depois" chegou, o feedback que ele recebeu foi que os alunos podem ter adorado a aula, mas não necessariamente aprendeu o assunto que estava sendo dado, não é porque ele foi aplaudido de pé que a aula necessariamente cumpriu os objetivos de aprendizagem definidos. A aula tinha sido rasa em conteúdo, que provavelmente seriam esquecidas no curto prazo.

Dar um espetáculo e ensinar são coisas diferentes, assim como se entreter e aprender também são. Não que um elimine o outro. Se o professor consegue dar um show e ensinar ao mesmo tempo, ótimo! Se o aluno aprende se divertindo, melhor ainda.

Ao preparar e ministrar uma aula, o foco não pode ser "dar um show", ele até pode fazer parte, mas os objetivos de aprendizagem vem antes. É por isso que quando perguntam a minha opinião sobre os palestrantes que vendem "palestras show", eu sempre digo que não sou contra, pois estes podem estar realmente transformando a plateia, dando conteúdo relevante, fazendo o público refletir e incentivando-os a agir diferente e melhor. Entretanto, eu já assisti alguns que foram eloquentes, mas vagos, superficiais, apesar de serem divertidos (e a audiência parecer ter adorado).

Não dê aula apenas para agradar os alunos. Educar pode ser divertido, mas nem sempre o é, e envolve dizer SIMs sorridentes e NÃOs dolorosos. Assim como fazer tudo o que um filho quer não é sinônimo de educação, mas sim de problemas a longo prazo, o mesmo vale na sala de aula. É por isso que sou contra escolas que reconhecem os professores apenas (ou majoritariamente) pela avaliação dos alunos. Em Harvard, por exemplo, a avaliação dos professores pelos seus pares conta muito mais que a avaliação feita pelos alunos. Eu ouvi de um dos professores do MBA de lá que "eu não estou aqui para agradar os alunos, estou aqui para transformá-los em futuros grandes líderes, e isso pode ser doloroso de vez em quando, mas este é o meu papel". Concordo plenamente.

Mais uma vez ressalto que não sou contra palestras ou aulas show, desde que venham acompanhados de aprendizagem efetiva, transformação e inspiração. E se quiser ser aplaudido de pé, veja este link: http://www.scienceofpeople.com/2015/07/how-to-get-a-standing-ovation/

Palmas para ti! 

PROVA COM QUESTÃO DE PROVAS PASSADAS
 

Comentários 1

Administrador em Segunda, 25 Setembro 2017 18:06

Faz muito sentindo a colocação do professor Sênior no seu feedback para o outro professor. Existem objetivos do processo de aprendizagem que precisam ser seguidos e respeitados.

A forma lúdica de apresentar um conteúdo da aula , acaba complementado os objetivos. O ideal seria equilibrar esse método, para que possa gerar "insigts" do processo de aprendizagem .

Acrescentaria nesses processo a importância dos dos professores/palestrantes/tutores, conhecerem e identificarem o perfil do seu público.

Cada pessoa apresenta uma forma especifica de aprender, e nem sempre são iguais. Uns são mais rápidos, outros mais lentos, outros mais visuais, outros apenas através da escrita e ou através da audição, dentre as outras formas de aprendizado.

Alem disso, entendo que a possibilidade de realizar uma pesquisa antes, para identificar o perfil dos participantes, analisando a forma como cada um consegue aprender, facilitará o processo de aprendizado atingindo resultados mais eficazes.

Faz muito sentindo a colocação do professor Sênior no seu feedback para o outro professor. Existem objetivos do processo de aprendizagem que precisam ser seguidos e respeitados. A forma lúdica de apresentar um conteúdo da aula , acaba complementado os objetivos. O ideal seria equilibrar esse método, para que possa gerar "insigts" do processo de aprendizagem . Acrescentaria nesses processo a importância dos dos professores/palestrantes/tutores, conhecerem e identificarem o perfil do seu público. Cada pessoa apresenta uma forma especifica de aprender, e nem sempre são iguais. Uns são mais rápidos, outros mais lentos, outros mais visuais, outros apenas através da escrita e ou através da audição, dentre as outras formas de aprendizado. Alem disso, entendo que a possibilidade de realizar uma pesquisa antes, para identificar o perfil dos participantes, analisando a forma como cada um consegue aprender, facilitará o processo de aprendizado atingindo resultados mais eficazes.
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